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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Portugueses inventam seringa a laser sem agulha


Uma seringa a laser, sem agulha, está a ser desenvolvida em Coimbra e deve chegar ao mercado dentro de um ano, anunciou Carlos Serpa, um dos investigadores envolvidos, nesta segunda-feira.

O Laserleap (seringa a laser) é um sistema em nada semelhante às tradicionais seringas com agulha, mas que, tal como estas, permite fazer chegar o medicamento ao destino pretendido, só que sem picada e recorrendo a laser.

O protótipo da «seringa» foi hoje apresentado na Universidade de Coimbra (UC), onde o projeto nasceu, em 2008, por um grupo de três investigadores do Departamento de Química, que inclui também Luís Arnaut e Gonçalo Sá.

Através do laser, é criada uma onda de pressão que, ao chegar à pele, gera uma «espécie de tremor de terra», deixando-a «durante alguns segundos permeável», o que facilita a aplicação do fármaco, administrado em creme ou gel, explicou Carlos Serpa, citado pela Lusa.

O fármaco «surte efeito mais rapidamente, nomeadamente no caso dos analgésicos tópicos», acrescentou.

Aplicações no tratamento do cancro da pele e de determinadas doenças dermatológicas, administração de vacinas ou aplicações em cosmética são algumas das utilizações da tecnologia Laserleap.

Testado em três dezenas de estudantes do Departamento de Química, o sistema «não provoca dor nem vermelhidão», de uma maneira geral - «apenas cinco por cento dos casos, mas passa rapidamente» - e é considerado «seguro para os humanos».

Vencedor da primeira edição do prémio RedEmprendia (2010), no valor de 200 mil euros, o Laserleap, levou já à criação de uma empresa - LaserLeap Tecnologies, em setembro de 2011, e atualmente incubada no Instituto Pedro Nunes - e a um pedido de patente internacional, em abril de 2011.

Ainda recentemente, o projeto venceu o desafio internacional lançado no Photonics West 2012, um dos maiores encontros científicos do mundo na área da fotónica.

A RedEmprendia é uma associação criada com apoio do Grupo Santander e orientada para o empreendedorismo, que congrega 20 universidades ibero-americanas - em Portugal, as Universidades de Coimbra e do Porto.

Durante a apresentação do protótipo, o presidente da RedEmprendia, Senen Barro, classificou o projeto português de «excecional». «A qualidade de vida de muitas pessoas pode mudar radicalmente» com a nova seringa, considerou.

Depois de salientar a importância da RedEmprendia no desenvolvimento dos projetos de investigação, o reitor da UC, João Gabriel Silva, manifestou-se preocupado com a «diminuição global dos montantes disponíveis para os projetos de investigação», através da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

«Se estas restrições se mantiverem, é óbvio que muito do percurso positivo que Portugal tem feito nos últimos 10, 15 anos vai ser posto em causa, o que é preocupante e não é compatível com as afirmações que se fazem de que as universidades são decisivas para o desenvolvimento do país», sustentou.

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