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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Etiópia: As crianças do cemitério

Etiópia: As crianças do cemitério
AIS


Não longe da escola das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo em Addis Abeba, Etiópia, existe um cemitério. Com ele começou tudo, pois nesse campo-santo não só os mortos encontram o último descanso, mas, durante muito tempo, ele serviu de refúgio para muitos doentes de lepra, pobres e pessoas sem teto. Aqui viviam estas pessoas. Aqui davam à luz os seus filhos, os criavam, e aqui mesmo morriam. Sem esperança, sem futuro e sem deixar rastro.

  
O destino das crianças do cemitério despertou, há quarenta anos, a compaixão de dois jovens homens. Eles decidiram cuidar dos pequenos e dar-lhes ensino, a fim de que pelo menos pudessem ter uma oportunidade na vida. Faziam-no gratuitamente, mas, quando tiveram que mudar-se dali para continuar seus estudos, pediram a um grupo de religiosas que cuidassem das crianças.
 
A princípio, uma religiosa se dirigia ao cemitério para dar aulas às crianças, entre as sepulturas. Quando conseguiram a permissão da administração municipal, as Filhas da Caridade instalaram uma escola e um jardim de infância perto do cemitério. Ainda hoje elas cuidam das crianças de rua e dos filhos dos mais pobres entre os pobres. “A educação é a única via para sair da miséria. Com a nossa escola queremos tirá-los da rua”, afirma a diretora, Ir. Belaynesh Woltesi.



Atualmente na escola e no jardim de infância das Filhas da Caridade estudam 813 crianças. Os alunos recebem aulas em dois turnos, pois não dispõem de espaço suficiente. A escola se encontra situada em uma ladeira à margem de uma ribanceira; o espaço é limitado. É quase um milagre que em um espaço tão reduzido seja possível fazer tanto. As religiosas dispõem até mesmo de uma pequena biblioteca e um campo de esportes. Tudo é minúsculo, mas eficaz. As irmãs se ocupam dos pequeninos com muito carinho e com um grande esforço.


Elas não só dão ensino às crianças, mas também alimento. “Se nós não lhes dermos de comer, elas passam fome. Mas isto é cada vez mais difícil, pois os preços dos mantimentos aumentam sempre mais. Além disso, temos que proporcionar uniformes aos alunos, além de lápis, livros e cadernos”, diz irmã Belaynesh. A lenha acabava de chegar à escola das irmãs. “Até um momento atrás não sabia como pagá-la, mas necessitamos dela para cozinhar; do contrário, as crianças não terão o que comer”. Tudo é muito caro. Um dos meninos é órfão; as religiosas encontraram uma mulher que concordou em acolhê-lo, mas as freiras têm que dar a ela o dinheiro para a comida e o alojamento da criança.


As crianças procedem de famílias que vivem na miséria; cujos pais têm lepra ou AIDS; são cegos, paralíticos ou padecem de outras doenças. À tarde, uma mãe cega busca no jardim de infância um menino de uns quatro anos; seus olhos, de cor branca leitosa, olham no vazio. O pequeno a conduz pela mão ao sair à rua. As religiosas não sabem quantas destas crianças têm o vírus HIV desde o nascimento. A AIDS continua um grande tabu; nem sequer se diz o nome da doença em voz alta quando se está diante de pessoas das camadas mais inferiores da população. Várias vezes, quando estão com pessoas mais pobres, com frequência as irmãs dizem: “Eles têm aquela determinada doença... não digo o nome agora porque eles estão por perto”.


A maioria das crianças mendigava nas ruas de Addis Abeba antes de receberem os cuidados das religiosas. De fato, aonde quer que alguém pare um automóvel na capital, aparecem mendigos batendo nas janelas. “Tenho fome! Tenho fome!”, gritam as crianças. “Deem-me algo de comer!”, pedem as mulheres com bebês nos braços. Teoricamente, mendigar está oficialmente proibido. Por isso, os pais enviam as crianças para pedir esmola ao entardecer, quando há poucos policiais nas ruas. Algumas crianças vendem bilhetes de loteria ou goma de mascar; enquanto outros trabalham como palhaços ou acrobatas para gangues profissionais de mendigos. Lamentavelmente, a prostituição também está muito difundida.


As religiosas vão regularmente à cidade, onde as crianças mendigam, e convidam os pequenos a irem com elas e receberem seus cuidados. Às vezes também saem à busca de crianças que abandonaram a escola para voltar a pedir esmola para manter sua família. Alguns têm que ocupar-se também de seus pais ou irmãos doentes. Irmã Belaynesh relata: “Tínhamos um menino, que era ainda bastante pequeno. Seu pai estava cego e a mãe abandonou o lar. O pequeno tinha quatro irmãos e tinha que encarregar-se de todos eles”. Algumas crianças estão muito traumatizadas para acostumar-se a uma vida normal. “Tínhamos uma moça cujo pai abusava dela. Ela escapou, mas uma das freiras foi procurá-la na cidade e a trouxe de volta”.


Toma tempo para que alguns que só conheceram a lei da rua se acostumem a outro tipo de vida. Alguns não conseguem; mas a maioria percebe que aqui experimentaram carinho e alegria, e que têm um futuro. O trabalho das religiosas dá frutos realmente palpáveis: alguns de seus ex-alunos, que sem elas jamais teriam tido um futuro, hoje são médicos, professores, enfermeiras... Cinco ex-alunas voltaram para a escola das Filhas da Caridade e hoje dão aulas a crianças que são tão pobres como elas um dia foram.


A Fundação Pontifícia “Ajuda à Igreja que Sofre” oferece apoio em muitos lugares da Etiópia a religiosas e religiosos que cuidam de pessoas necessitadas. Apesar de que neste país do leste africano, um dos mais pobres do mundo, os católicos sejam um grupo de apenas 700.000 pessoas, o que representa uma porcentagem pequena da população, cerca de 10 milhões de pessoas se beneficiam do trabalho caritativo da Igreja Católica. Além disso, a Igreja dirige 203 jardins de infância e 222 escolas que estão abertas a crianças e jovens de todas as denominações e religiões. O número de alunos chega a quase 180.000. A “Ajuda à Igreja Que Sofre” financiou no ano passado o trabalho da Igreja Católica na Etiópia com quase 620.000 euros.

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