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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Parkinson: português identifica funcionamento de proteína que afeta memória

ParkinsonUm investigador português identificou o funcionamento de uma proteína que interfere com a comunicação entre células do cérebro e afeta a memória em doentes de Parkinson, permitindo testar novos medicamentos para evitar estes problemas.

O trabalho liderado pelo cientista Tiago Fleming Outeiro, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina de Lisboa, é publicado, nesta quarta-feira, no Journal of Neuroscience (Jornal de Neurociência).

«Vimos que os oligomeros da proteína alfa-sinucleína alteram e interferem na transmissão sináptica, a comunicação entre as células nesta área, que é muito importante para os processos de memória e aprendizagem», disse à Lusa Tiago Outeiro.

A investigação agora apresentada abre «uma enorme perspetiva para podermos intervir a este nível, quer tentando impedir a acumulação desta proteína fora das células, porque sabemos que ai está a causar estes problemas, quer utilizando fármacos, drogas, que possam interferir com estas proteínas, modelando a comunicação neuronal», explicou.

O cientista acrescentou que a intervenção ao nível dos sintomas da doença de Parkinson «não tem sido possível porque não se conheciam estes mecanismos».

Estudos recentes mostraram que uma das proteínas associadas à doença de Parkinson é detetada também fora das células do cérebro, mas não se sabia quais as consequências ou qual o tipo de formas mais problemáticas de proteína.

Os investigadores testaram o efeito de três tipos de aglomerados da alfa-sinucleína fora das células no contexto da função neuronal.

«Vimos que apenas um tipo específico destas formas da proteína, os oligomeros de alfa-sinucleína, é capaz de afetar a comunicação neuronal, em termos científicos transmissão sináptica», especificou Tiago Outeiro.

Quando os neurónios no cérebro não comunicam de forma eficiente ou normal começam a surgir problemas relacionados com vários tipos de doença, como a doença de Parkinson, e parte dos doentes acabam por desenvolver problemas cognitivos, de memória, de aprendizagem ou psicológicos.

«Foi na zona do hipocampo, associada à formação da memória, por exemplo, que detetamos estes efeitos e foi aí que focámos este estudo para perceber de que forma esta proteína causa problemas», esclareceu.

«Há uma oportunidade muito grande de se testarem novos fármacos para aspetos particulares da doença, até agora menos possíveis de ser tratados, e corrigir defeitos na comunicação neuronal e encontrar fármacos que possam evitar a acumulação destes oligomeros de alfa-sinucleína que se acumula nos cérebros dos doentes de Parkinson», resumiu Tiago Outeiro.
 
A Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, lentamente progressiva e que se manifesta através de rigidez muscular, tremores, diminuição da mobilidade e instabilidade postural.

Afetará «mais de quatro milhões de pessoas em todo o mundo» e «em mais de 90 por cento dos casos» é de origem desconhecida, disse, nesta segunda-fira, à Lusa Sandra Morais Cardoso, líder do grupo de investigadores, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (UC).

O estudo, publicado na revista «Human Molecular Genetics», vem demonstrar que «a deficiência no tráfego intracelular (autoestradas celulares) é provocada pela disfunção das mitocôndrias dos doentes», que são responsáveis pela produção de energia nas células, consta numa nota divulgada pela UC.

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