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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Desvendada profecia maia sobre fim do mundo em 2012

Vários cientistas de todo o mundo reuniram-se em Palenque, no Estado de Chiapas, no sul do México, local arqueológico maia, para discutir a profecia daquela antiga civilização, que previa o fim do mundo em 2012.

Segundo os especialistas, a teoria teve origem no monumento número seis do local arqueológico de Tortuguero e num ladrilho com hieróglifos localizado em Comalcalco, ambos localizados em Tabasco, no sudoeste do país.

O monumento número seis, noticia a «BBC», faz alusão a um evento místico que ocorrerá a 21 de Dezembro de 2012, durante o solstício de Inverno, quando «Bahlam Ajaw», um antigo governante daquele lugar, se encontra com «Bolon Yokte», um deus na mitologia maia.

Todas as mensagens maias gravadas em «estelas» (monumentos líticos feitos num único bloco de pedra) foram interpretadas, até agora, como uma profecia sobre o fim do mundo.

No entanto, de acordo com o Instituto Nacional de Antropologia e História («Inah»), na data anunciada, os maias esperavam simplesmente o regresso de «Bolon Yokte¿».

«(Os maias) nunca disseram que haveria uma grande tragédia ou o fim do mundo em 2012», afirmou o pesquisador Rodrigo Liendo, do Instituto de Pesquisas Antropológicas da Universidade Autónoma do México, acrescentando que «essa visão apocalíptica» é algo que caracteriza os ocidentais. «Não é uma filosofia dos maias.»

Durante o encontro, o investigador Sven Gronemeyer, da Universidade australiana de Trobe, e a sua colega Bárbara Macleod, fizeram uma nova interpretação do 6º monumento de Tortuguero.

Assim sendo, os hieróglifos inscritos na «estela» referem-se à culminação dos 13 «baktunes», os ciclos com que os maias mediam o tempo. Cada um deles era composto por 400 anos.

«A medição do tempo dos maias era muito completa», explicou Gronemeyer. «Eles faziam referência a eventos no futuro e no passado, e há datas que são projectadas para centenas, milhares de anos no futuro».

Já para a jornalista Laura Castellanos, autora do livro «2012, Las Profecias del Fin del Mundo», o sucesso da teoria dos maias junto à cultura ocidental deve-se a uma «onda milenarista», que «antecipa catástrofes ou outros acontecimentos cada vez que se completam dez séculos».

Para Castellanos, as profecias sobre o fim do mundo em 2012 não têm apenas uma «vertente catastrófica», mas também uma linha que «antevê o despertar da consciência e o renascimento de uma nova humanidade, mais equitativa».

A explicação científica e histórica desta teoria vai também de encontro com a crença popular no México.

A população mais crente tem procurado adquirir conhecimentos necessários de como sobreviver com o seu próprio cultivo de alimentos em caso de catástrofe mundial.

A verdade é que o «fim do mundo» é motivo de negócio. O Governo mexicano lançou uma campanha para promover o turismo no sudoeste do país, onde estão os monumentos arqueológicos maias.

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